sábado, 1 de maio de 2010
"Tenho sentimentos estranhos…na verdade, são “não sentimentos”…é como quando eu era pequeno, minha mãe vivia dizendo para eu não jogar bola dentro de casa…na nossa sala, em cima da mesa, havia um vaso, uma fruteira na verdade, que ela gostava muito…não preciso dizer que joguei bola…não preciso dizer que quebrei a tal da fruteira…não preciso dizer que “a chinela” comeu…lembro que quando isso aconteceu minha mãe não estava em casa…até a hora de ela chegar fiquei sentindo um misto de ódio de mim mesmo com “e agora o que eu vou fazer???”Agora estou sentindo esse mesmo ódio de mim…a fruteira se quebrou…em mil caquinhos…nada, nunca mais será a mesma coisa…mesmo que “nunca mais seja muito tempo”…existem coisas, sentimentos e fruteiras que não se refazem…que não se colam…as flores morrem e não voltam…O que sinto é estranho…é uma felicidade em saber que sim, é possivel esquecer todos…e uma tristeza por ter sido tão estúpido…e um medo muito grande porque sei que outros virão para me mostrar que continuo sendo estúpido…Queria poder arrancar meu coração do peito e colocá-lo no congelador…"
"Eu acho mesmo que eu devia escrever alguma coisa pra você. Alguma coisa curta, que coubesse num guardanapo de mesa de bar, daqueles bem fininhos que se rasgam fácil. Alguma coisa que te fizesse sorrir assim só com o canto da boca sabe? Pra toda vez que você se distraisse com seu cigarro se pegasse pensando nisso que eu escrevi pra você. Essa coisa tão pequena que cabe num guardanapo barato de bar, mas que fosse tão delicada e ao mesmo tempo tão forte que te fizesse se lembrar de mim. E de tudo o que eu escrevi pra você e você nem sabe… E que sempre houvesse esse pequeno sorriso seu, que seria meu."
“Por isso não importa, eu queria era te dizer dessas vezes em que eu te deixava e depois saía sozinho, pensando também nas coisas que eu não ia te dizer, porque existem coisas terríveis, eu me perguntava se você era capaz de ouvir, sim, era preciso estar disponível para ouvi-las, disponível em relação a quê? Não s...ei, não me interrompa agora que estou quase conseguindo, disponível só, não é uma palavra bonita? Sabe, eu me
perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?”
perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?”
"Não vou perguntar por que você voltou, acho que nem mesmo você sabe, e se eu perguntasse você se sentiria obrigado a responder, e respondendo daria uma explicação que nem mesmo você sabe qual é. Não há explicação, compreende? Eu também não queria perguntar, pensei que só no silêncio fosse possível construir uma compreensão, mas não é, sei que não é, você também sabe, pelo menos por enquanto, talvez não se tenha ainda atingido o ponto em que o silêncio basta? É preciso encher o vazio de palavras, ainda que seja tudo incompreensão? Só vou perguntar por que você se foi, se sabia que haveria uma distância, e que na distância a gente perde ou esquece tudo aquilo que construiu junto. E esquece sabendo que está esquecendo."
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